mas eu não quero falar sobre isso. me dá agonia.
eu tenho sono, estou para ficar menstruada, o Louis está na França esse final de semana e eu briguei com o cara da Domino’s pizza hoje e ele me ameaçou, disse que sabia meu telefone e meu endereço e eu cagona que sou, fiquei com medo e paranoiada, e não consigo dormir. eu sou campeã em atrair gente psicopata. alias, é de família.
eu estou prestes a fazer uma coisa que vai mudar minha vida inteira. inteira. inteirinha. e eu tento colocar essa coisa (como meu vocabulário anda ruim, meu deus), como algo prático. mas quanto mais perto chega, mais o peso da decisão eu sinto. não me assusta. não me frustra. não tem um sentimento hesitante. minha razão hesitou, e talvez ainda hesite um pouco. mas eu nunca fui, nem nunca serei uma pessoa movida pelo meu cérebro. coração. se tornou minha palavra predileta, entre todas as outras do português. existem outros orgãos envolvidos. meu estômago que várias vezes sente frio. os meus milhares de fios de cabelos, que passaram a ser bonitos só depois de serem amados. o canto côncavo da minha boca. é meu organismo dizendo, que eu tô fazendo a coisa certa. é olhar nos teus olhos, onde além deles eu vejo os meus refletidos, todos os 4 gritando, vai fundo, fundo, fundo, que no fundo a tua entranha silencia. eu sinto falta dele todos os minutos que ele não está aqui deitado comigo. o cheiro que tem bem no meio do peito. o cheiro que mais nenhum ser vivo da terra tem. o cheiro. o cheiro é outra coisa acertiva. não tem mais ninguém no mundo com esse cheiro. mesmo o mau hálito da manhã que sempre me lembra cebolas não cheira repulsivo. e eu odeio mau cheiro alheio.
no passado, em momentos que eu tive que tomar decisões importantes, sempre que conversava com minha mãe sobre, ela falava pra eu sempre confiar nos meus instintos. e eu achava que não, e seguia o que no momento eu achava que era o meu bom senso. hoje eu sou consciente que bom senso é algo inexistente neste universo chamado marina. e foi por isso que várias decisões importantes que eu tomei na minha vida foram completamente errôneas. não muito tempo atrás, eu tomei uma decisão por puro impulso, ou instinto. eu estou pensando sobre as diferenças entre os termos no caso que eu conto mas estou com preguiça de dissertar sobre, pq no fim, não faz a mínima diferença pra onde eu quero chegar. o que aconteceu, é que a sabedoria de mãe vingou. mãe nunca erra. não quando ela fala sobre você. ela sabe exatamente quem eu sou, e como eu funciono. e apesar de ela ter apoiado qualquer que fosse a decisão que tomasse, eu via nos olhos dela, o que ela queria dizer e por respeito ao meu livre-arbítrio não dizia. e eu vi nos olhos da minha mãe quando ele chegou no aeroporto, quando estávamos de novo no aeroporto nos despedindo que dessa vez eu tinha conseguido. eu segui o instinto da minha palavra preferida. obviamente certas decisões impulsivas que eu tomei foram e são ainda difíceis de aceitar, e racionalmente elas parecem idiotas mesmo. mas algo dentro de mim fala, vc fez certo, espere e veja. então eu vou largar mão de usar minha razão, pq cada vez que eu uso meu coração eu tiro dez na prova da vida.
está quieto aqui dentro.
está vazio aqui fora.
um final de semana.
só um.
e ele me liga 3 vezes por dia.